Coragem
Quando se pergunta a uma pessoa
o que ela mais teme, normalmente a resposta é morrer, ficar pobre,
ficar doente ou sofrer, mas se cada um olhasse honestamente para
si e fizesse esta pergunta, refletisse e respondesse com sinceridade,
a resposta seria outra, pois as pessoas passam pela vida a maior
parte do tempo evitando viver, sofrendo e se agredindo.
Há um grande contra-senso aqui,
um paradoxo, uma vez que fazem a si o que mais temem. Alguma coisa
não se encaixa aqui. O que é?
O maior medo das pessoas não é
morrer, ficar doente, pobre ou sofrer, o maior medo é viver, as
pessoas têm tanto medo de viver que não vivem, as pessoas se entorpecem
... seja bebendo, trabalhando, reclamando, fazendo de tudo, menos
vivendo, curtindo-se e aproveitando a vida, é uma corrida desenfreada
para ganhar dinheiro, controlar a vida, negócios, companheiro, filhos,
violência ... e por aí vai ... As pessoas arrumam os mecanismos
mais diversos para fugir da vida e não verem, não sentirem...
E o que seria viver?
Viver e deixar viver... Entregar-se
a Vida.
Viver nada mais é do que sermos
nós mesmos. ... Simples, né?
Complicou mais? Realmente é muito
difícil sermos nós mesmos quando há anos não nos observamos, não
nos damos valor, não nos amamos, não nos agradamos... Quando representamos
tantos papéis sociais que se misturam ao que achamos que somos sem
saber a diferença entre o que somos e o que representamos... Ficamos
tão distantes de nós mesmos que já nem sabemos mais do que gostamos...
Numa completa insatisfação.
Fomos educados a agir de acordo
com padrões sociais e para nos encaixarmos dentro destes padrões
adotando máscaras.
O problema não está em usarmos
estas máscaras sociais, muitas vezes, é até necessário, o problema
é quando formamos uma imagem do que é perfeito, criamos um modelo
de perfeição dentro do que nos passaram que seria certo e errado
e queremos viver e ser esta ilusão, tendo a pretensão de sermos
perfeitos e para tal aprendemos a viver agradando aos outros, a
viver de acordo com o ponto de vista dos outros, principalmente
daqueles a quem amamos e/ou admiramos, morrendo de medo de que não
nos aceitem, de que não sejamos bons o suficiente. Criamos uma imagem
de como deveríamos ser para sermos aceitos e principalmente amados
por todos, sem exceção e assim tentamos o tempo todo ser uma boa
esposa, um bom marido, um bom filho, bom..., bom.... Tentamos ser
bons o suficiente para eles, criamos um sonho de perfeição e queremos
nos encaixar nele, mas nunca seremos perfeitos deste modo, temos
que ser bons primeiramente para nós, devemos ser nós mesmos, pois
assim faremos o melhor que pudermos em todos os âmbitos da nossa
vida e seremos perfeitos para nós e não mais para os outros.
Temos que reconhecer que nunca
agradaremos ao mundo, é impossível agradar a gregos e troianos,
então que nos agrademos, sejamos fiéis a nós, tenhamos coragem de
assumir quem somos, do que gostamos, pois quando fazemos um projeto
de perfeição e não conseguimos seguí-lo à risca, passamos a nos
sentir inadequados e a nos rejeitar, deixamos de ser íntegros...
Transformamo-nos em nossos maiores algozes, culpamo-nos, sentimo-nos
falsos, frustrados e passamos a tentar esconder o que somos e fingimos
ser o que não somos.
O resultado é que não nos sentimos
autênticos e vestimos máscaras sociais para que os outros não percebam
quem somos, o que se passa em nossa alma, fugimos tanto de nós mesmos
que ficamos tão distantes e nem mais conseguimos nos ver, começamos
a apenas ver os outros e tornamo-nos assim juízes do mundo, julgando
a tudo e a todos de acordo com o modelo que havíamos projetado para
nós e que não fomos capazes de realizar, mas esquecidos disso, passamos
a esperar que os outros ajam de acordo com este modelo pré-concebido
de perfeição e mais uma vez nos frustramos, nos sentimos traídos...
E assim nós nos desagradamos, desagradamos aos outros, os outros
nos desagradam num círculo vicioso sem fim.
Tenha coragem de romper com este
círculo, olhe para você, seja você mesmo, seja íntegro e você verá
o quanto você é maravilhoso, algumas pessoas podem até não gostar
destas mudanças, mas a pessoa mais importante é você e você estará
feliz, e as pessoas que convivem com você passarão a te amar como
você se ama e a te respeitar como você se respeita e assim nascerá
um novo círculo, só que agora virtuoso.
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